Sobre a cidade de Tupanciretã

Tupanciretã apresenta uma superfície de 2,251.863 Km², situada entre os paralelos de 28°47’, 29°12’, de latitude sul e os meridianos 53°34’, 54°28’ de longitude oeste. Limita-se com os municípios de São Miguel das Missões, Capão do Cipó, Jóia ao norte; Jari, Quevedos e Júlio de Castilhos ao sul; Santiago a oeste, Cruz Alta e Boa Vista do Incra ao leste e Boa Vista do Cadeado a nordeste.

POPULAÇÃO (Censo IBGE 2010)
22.286 habitantes, sendo:
Total de homens: 10.867
Total de Mulheres: 11.419
Total na Zona Urbana: 18.025
Total na Zona Rural: 4.261

RELEVO

Constituído de planaltos, com leves ondulações denominadas coxilhas.

SOLO

Predomina o solo argilo – arenoso.

TOPOGRAFIA

Planaltos com ondulações denominadas coxilhas.

HIDROGRAFIA

O município possui uma rede hidrográfica composta por rios de médio e pequeno porte, sendo os principais, os rios Jaguari, rio Toropi Mirim, rio Ivaí, Lageado do Celso do Inhacapetum. Os rios do município são cercados por matas ciliares de pequeno porte não existindo desmatamento preocupante em sua s margens.

REGIME PLUVIOMÉTRICO (chuvas) –

Em torno de 1200 a 1500 mm/ano.

CLIMA

Em termos de condições climáticas, de acordo com Vieira(1984), o RS, devido a sua posição geográfica (paralelo 30°) representa sua paisagem de condições climáticas da zona tropical à temperada.

O clima mesotérmico úmido sem estação seca do qual o município de Tupanciretã faz parte, específica condições de “regularidade” nos aspectos climáticos do estado, sob influência dos centros de ação atmosférica do Anticiclone Polar, Anticiclone do Pacífico e Anticiclone do Atlântico. Nimer(1984).

A área do município de Tupanciretã, segundo a classificação estabelecida, enquadra-se na área de clima mesotérmico estação seca. As precipitações pluviométricas ficam em torno de 1.500 a 1.800mm, e as temperaturas máximas oscilam em média entre 23 e 25° e as mínimas entre 11 e 14°. As anormalidades climáticas que ocorrem em nosso município e demais municípios do RS, estão associados ao fenômeno “EL NINO”, desencadeando alto índice pluviométrico no Estado, inclusive em Tupanciretã.

VEGETAÇÃO

Predominam os campos limpos, cobertos por vegetação rasteira denominada gramínea. São apenas esparsas as vegetações altas, como matas e capões.

FAUNA E FLORA

A fauna do município caracteriza-se pela existência de pequenos animais silvestres como: pombas, sabiás, periquitos e muitos outros pequenos pássaros. Também temos em nossa fauna perdizes, perdigões, lebres, veados, capivaras e pequenas cobras.

A flora predomina matas naturais, formadas por pequenas árvores características de cada região.

DENSIDADE DEMOGRÁFICA

0,14hab/Km²

MUNICÍPIO DE ORIGEM:
Júlio de Castilhos, Cruz Alta e Santo Ângelo

Distância de Santa Maria: 104 km

ESTATÍSTICAS

Taxa de analfabetismo de pessoas com 15 anos ou mais (2010): 5,44 %

Expectativa de Vida ao Nascer (2000): 73,16 anos

Coeficiente de Mortalidade Infantil (2010): 9,43 por mil nascidos vivos

PIBpm(2010): R$ mil 518.724

PIB per capita (2010): R$ 23.276

Exportações Totais (2010): U$ FOB 30.002.609

Data de criação: 21/12/1928 – (Decreto nº. 4200)

HISTÓRIA

A zona onde atualmente se ergue o município de Tupanciretã parece ter sido povoado inicialmente pelos índios charruas e minuanos. Fundadas as Missões, em fins do século XVII, uma fazenda jesuítica foi construída no planalto de Coxilha Grande, onde nascem os cursos de água de Caneleira, Buracos e Ijuizinho. Pertencia à Redução de São João, e possuía uma capela, currais e arvoredos frutíferos. Batidos os estrangeiros na luta pela posse das Missões, depois de 1801 os índios venderam os rincões da fazenda, consumindo seus gado, e retirando-se a seguir. Após alguns anos, ficou baldio esse campo, com apenas o velho rancho que servia de pouso aos raríssimos viajantes provindos de São Martinho. Em 21 de outubro de 1843 foram aquelas terras incorporadas à Fazenda Nacional em virtude de lei.

Surge então o Dr. Hemetério José Veloso da Silveira, para advogar a causa de Alexandre Jacinto da Silva e João Nunes da Silva, que, ocupando a região da antiga fazenda, consideravam-se legítimos proprietários dela, tendo ganho de causa. Assim, temos os dois primeiros ocupantes efetivos de Tupanciretã em Alexandre Jacinto da Silva e João Nunes da Silva. Em 1857 dissolve-se a sociedade entre eles, ficando a estância novamente abandonada, vendida depois aos pedaços pelos herdeiros de João Nunes. Já então a denominação do local era Tupanciretã (Tupã = Deus; SY = mãe; Retã = terra) que significava terra da mãe de Deus, invocação da virgem feita pelos Jesuítas no idioma bárbaro dos índios.

Consta que por volta de 1835 foram morar na região Albino J. Silveira e Ana Silveira, sendo um de seus filhos, Antônio José Silveira, mais tarde o fundador da povoação. Diversas famílias para lá se transladavam, trabalhando e fazendo progredir aquelas plagas.

Em 1865 muitos se retiraram dali para ir combater no Exército Imperial, a tirania de Solano Lopez. A 28 de dezembro de 1894, Antônio José da Silveira mandou efetuar medição de suas propriedades, o que foi feito por Antônio Edler. A intenção do proprietário era amparar a quantos saídos da luta fratricida, procurassem um recanto onde ganhar a própria subsistência. Deram terras de Tupanciretã, sem ônus algum, a quem quisesse edificar, entregando-se ao Conselho Municipal de Vila Rica. Em março de 1895 estava traçada a área do futuro povoado.

Antônio José da Silveira, em 19 de setembro de 1897, doava à Igreja Católica Apostólica Romana a Praça de Frei Galvão, a fim de ser ali erigida uma igreja consagrada à Mãe de Deus. A 29 do mesmo mês, com as soledades de estilo, era lançada a pedra fundamental do templo.

Entre os primeiros habitantes, figuram Felipe Amâncio Licht, João Krebs, José Carlos de Morais, Prudêncio Silveira, Serafim Silveira, Luiz Gonzaga de Azevedo, Augusto Scharleand, Eugênio Veríssimo e muitos outros.

A 17 de agosto de 1903 surgia o primeiro órgão de imprensa: “O Tupanceretan”, dirigido por Vaz Ferreira. A população atingia então 800 pessoas.

A 20 de fevereiro de 1908, instalava-se a charqueada, um estabelecimento exemplar. Em 1913 era fundado, após uma assembleia popular, o primeiro colégio; em 1919, instalava-se a primeira agência bancária; em 1927, era criada a paróquia de Madre de Deus de Tupanciretã; em 1923, criava-se uma coletoria no povoado. Assim ia se desenvolvendo Tupanciretã, na primeira quadra do século. Em 1927, inicia-se a campanha pela emancipação. Era de fato, lamentável sua situação jurídica: a rua principal era divisa de dois municípios; sua arrecadação, investida nas duas sedes, nunca no povoado. Em 1928 a população atingia 3953 habitantes; a receita arrecadada chegava a 100.000.000, a qual ia para Cruz Alta e Júlio de Castilhos. A 21 de dezembro de 1928, sendo Presidente do Estado o Dr. Getúlio Dornelles Vargas, era assinado o decreto que criava o município de Tupanciretã. Foi constituído com o 2º, 3º e 7º distritos de Júlio de Castilhos, o 2º de Cruz Alta e parte do 8º de Santo Ângelo – com um total de 8000 habitantes.

Pelo decreto nº 4201 foi nomeado intendente provisório o coronel Estácio do Nascimento e Silva. A instalação deu-se no clube comercial, a 3 de janeiro de 1929. A 6 de fevereiro de 1929 realizavam-se as primeiras eleições.

Em 1932, ocorrendo o movimento revolucionário, constitucionalista partido de São Paulo, contra o Governo Provisório da República, formou-se em Tupanciretã uma coluna de 800 homens, sob o comando do coronel Marcial Terra, apoiando o movimento insurgente, ocorrendo pouco mais tarde e pacificação. Daí por diante a região não foi mais palco de sucessos militares e pode dedicar-se à construção de um dos rincões mais progressistas e acolhedores do Estado.

Lenda
Segundo Manoelito de Ornellas:
“A fazenda jesuítica apenas assinalada pela capelinha tosca, já existia no alto de um coxilhão deserto (campina extensa). E as árvores do mato crioulo, à tarde, projetavam-lhe sombra larga das suas ramarias. Ao lado, sob o amparo de uma cruz modesta, mal resistia a fúria das tempestades, um rancho pobre, coberto de palha, que tinha a finalidade amiga de acolher os poucos viandantes (viajantes) que por ali passavam. O local nada mais era do que um Posto de São João. Dentro da capelinha, tão pobre como esquecida, apenas uma imagem tosca enfeitava a tábua erguida como altar. Era uma imagem da Madona dos Céus, da Senhora dos Crentes.
Um dia, em que pelos caminhos maldelineados da serra, passavam um missionário e alguns poucos índios, uma tempestade os colheu nas proximidades do Planalto da Coxilha Grande. A noite chegava, e com ela o pânico e o terror. Quando a desorientação desesperava o padre e os poucos índios companheiros, um relâmpago lhes mostrou na fímbria do horizonte, em plena noite, um vulto mal definido. A silhueta que os relâmpagos mostravam, perto, era a imagem da Madona exposta ao furor da tempestade que arrebatara da capela pequenina a cobertura frágil.
O sacerdote, cheio de alegria cristã, exclamou: “Tupan-ci”. E os índios aterrorizados, repetiram: “Tupan-ci-retan”, que na língua indígena quer dizer: TUPAN = DEUS, CY= MÃ, RETAN = TERRA, ou seja, “TERRA DA MÃE DE DEUS.”

O Povoamento

O espaço que corresponde ao município de Tupanciretã, inicialmente era povoado pelos índios charruas e minuanos, mais tarde pelos jesuítas da redução da São João Batista, os quais implantaram várias fazendas criadoras de gado, entre elas a de São João Mirim, destinada a pecuária e a de Tupanciretã, à fruticultura.

Com a retirada dos jesuítas após 1801, a fazenda Tupanciretã foi “vendida” pelos índios que retiraram-se de sua área. Com a Lei de 21 de outubro de 1843, as suas terras foram incorporadas aos próprios nacionais. Os que se consideravam proprietários da fazenda não aceitaram tal decisão e para defender seus direitos nomearam o Dr. Hemetério José Veloso da Silveira.